Titulozinho besta, né? É, mas vocês sabem que eu curto um “impacto”, mesmo que não tenha criado impacto nenhum (ninguém é perfeito, caras). Mas eu vou explicar o porque do título e o que esse texto tem a ver com portfolio.

Lá por meados de 2014, eu era apenas um jovem de 24 anos sem muito norte na vida. Tinha acabado de sair de um trabalho que poderia me abrir muitas portas, mas era muito, muito degradante. Não por conta do que eu fazia lá, muito pelo contrário! Eu adorava o que fazia. MAAAAAAS eu não vim pra falar disso, então deixo essa história pra uma outra hora.

Enfim, 2014, 24 anos, profissionalmente perdidaço (também vou explicar isso) e, pior de tudo, teimoso. Essa daí foi meio que a época em que o armazenamento em nuvem já tinha praticamente dominado o mercado e já mostrava sua forte popularização, exceto pra mim. Eu não achava armazenamento em nuvem popular, achava que tudo que estivesse literalmente ao meu alcance (como um pendrive, por exemplo) era muito mais seguro e eficiente. Até porque, porra, se eu TENHO que acessar a internet pra chegar nesses arquivos, praticidade isso não é. Tipo aquela velha história de guardar dinheiro debaixo do colchão, sabe? Mas lembrem-se, eu era o teimosão da parada. Guarda isso na sua cabeça.

Fast-forward pra 2015, eu sentadinho em casa, organizando meu portfolio que, aliás, estava T O D I N H O armazenado fisicamente no meu PC, e apenas lá, em nenhum outro lugar. Na minha cabeça, seguro pra cacete, né. E essa era a hora que eu tinha pra organizar isso de uma vez por todas: sem trabalho por quase um ano, desespero empilhando junto com as contas a pagar. Passei uma semana organizando, formatando, deixando lindo e brilhoso. Cheguei no fim de semana seguinte e fui ligar o computador pra subir tudo pro Behance.

Liguei. Mas não liguei. Por quê?

Simples: o meu pc todinho tinha ido à merda, por conta de um curto-circuito que eu nem imaginava ter acontecido! E com ele, obviamente, todo meu portfolio. Mas não era “todo” meu portfolio, como se tivesse sobrado uma ou duas coisas. Era literalmente ele todo. Tudo o que eu tinha criado, absolutamente tudo, desde vários designs editoriais até vídeos inteiros editados por mim (tive essa época de video maker, pois é) e roteiros completos com ideias para animações. Tudinho, tudinho.

Fast-forward pra 2018, mais precisamente 3 horas atrás.

Estava analisando minhas inscrições no YouTube, quando tenho a brilhante ideia de clicar em “meu canal”, porque até então, eu nunca tinha feito isso, pelo menos não naquela conta. Só que a real é que eu já tinha feito isso, sim. Confuso, né?

Confuso porque eu só me dei conta depois que vi o que tinha lá: três videos que fiz durante a faculdade de animação. Onde? No YouTube. Que fica onde? Na nuvem. A filha da mãe da nuvem, no final das contas, foi quem me apresentou a maior ironia da minha vida profissional, servida numa bandeja de prata, com uma notinha que dizia “eu avisei”. E naquele momento, eu já nem mesmo sabia mais o que sentia, se era raiva por ter passado por tudo isso e ter completamente esquecido dessa parte do meu portfolio ou se era felicidade, porque querendo ou não, isso é algo que eu fiz, que é meu, e que eu achava que tinha se perdido pra sempre.

Acho que vou acabar ficando com a última opção, mesmo.

Mas enfim, já falei pra cacete, vamos à parte que interessa, que já tá ficando longo pra caramba esse post. Então presta atenção que vou mostrar pra vocês o que eu encontrei:

Bouncing Ball

É um dos exercícios mais básicos de animação e consiste em fazer uma bolinha pingando pelo cenário. É basicamente usado pra mostrar que o maluco manja dos paranauê da animação, que ele sabe usar o timing a seu favor, o suficiente pra fazer uma bolinha ser crível a ponto de não causar aquele desconforto de “ah, mas isso tem alguma coisa errada”. Não estou dizendo que o que eu fiz ta perfeito, de forma alguma! Mas ah, pode falar aí se não ficou massa, principalmente se considerar que eu NUNCA tinha feito isso na vida (essa foi a primeira tentativa) e não segui absolutamente nenhum tutorial.

Weighted Bounce

Esse, naturalmente, foi mais difícil de fazer. Como diz o nome (e se você não entendeu o nome, tá mais que na hora de caçar um curso de inglês, porque já é 2018, campeão), essa animação tem a ver com a variação de peso entre bolas de modelos diferentes. Consistia basicamente em mostrar as propriedades físicas das bolas: bola de basquete, bola de praia, bola de tênis e bola de boliche. Cada uma, obviamente, tem um tamanho específico, tem mais ou menos ar dentro e se comporta diferente. Se você der play ali, vai ver que funciona igualzinho à vida real. Mas aplicar essa diferença manualmente, sem ter uma bola dessas na mão (frase estranha) e, novamente, sem conhecimento prévio nenhum, não é tarefa pra qualquer um não. Também não ficou perfeitinho, mas é um dos meus trabalhos que mais me dão orgulho hehe.

Seesaw

Daí você pensa “Ah, a dificuldade tá escalando, então essa animaçãozinha aqui ele deve ter demorado um ano pra fazer, certeza kkk”. E eu te digo que não: essa foi a mais simples, de todas. Mas sabe porque? Simplesmente porque eu já tinha pego a manha nas outras duas, então fazer essa terceira foi super simples. Eu já tinha a ideia, já tinha o cenário e os personagens (apesar de serem simples bolas), simplesmente juntei tudo e fiz. Demorou por causa de detalhes, mas foi mais simples, inclusive, do que a animação das bolas quicando. Alí, eu não tinha muita noção da física, então suei mais pra produzir. Aqui eu já tinha pego a maldade do negócio e só fui metendo frame em cima de frame e depois fazendo os ajustes. Esse exercício, aliás, consistia em treinar o “acting” usando personagens simples. Quanto mais convincente a personalidade, melhor. Se ficou 100%, não sei, vocês me dizem. Mas ta aí outra coisa que eu gostei muito de fazer e da qual tenho muito orgulho!

Enfim, esse é o fim da história. Ninguém perguntou e nem deve lá ser aquelas coisas interessantes de se ler, mas é uma daquelas situações que acontecem a todo momento com os outros, mas enquanto não acontece com você, não existe ou é besteira. Acho que morder a própria língua nunca teve um significado tão perfeito.

Mas agora me resta aquela dúvida:

Esse é um conteúdo com seus 2 anos de idade já, mas são os únicos videos de alguma animação feita por mim que existem no momento, e vou levar um boooooom tempo pra produzir outra coisa (porque leva tempo mesmo, não por preguiça).

E aí, boto ou não boto no portfolio?

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